Resenha


SE JOHN LENNON TIVESSE 64 ANOS...

Marcelo Sanches

Um dia desses estava lendo uma coluna do meu colega Marcelo Froes, na qual comentava o lançamento de mais um livro sobre John Lennon, que teria completado 64 anos de idade no último dia 9 de outubro. O livro chama-se “Nowhere Man” e se concentra nos últimos dias vividos pelo ex-beatle antes de sua passagem. Este número, 64, é importante para os fãs dos Beatles por ser a idade citada na clássica canção “When I’m Sixty Four”, composta por Paul McCartney para o álbum “Sgt. Pepper’s” em 1967. A letra desta musica é algo típico de McCartney, pois constrói uma imagem tenra e carinhosa do que seria uma velhice pequeno-burguesa inglesa, com a continuidade de uma relação afetiva que excluiria qualquer imprevisto ou rompimento de uma idílica convivência conjugal, que teria ainda os benefícios inerentes à uma sociedade contemplada com o bom funcionamento do estado do bem estar social. De certa forma, Paul e Ringo estão vivendo de fato a situação imaginada na musica. Harrison quase chegou lá, vivendo até aos 58 anos de idade como um ermitão em sua imensa mansão nos subúrbios de Londres. Como estaria John Lennon aos 64 anos?

Já li muitos livros sobre John, visto que sou seu admirador e fã há exatamente 38 anos (tenho 42), e sua música e vida sempre me interessaram profundamente; assim, movido por uma curiosidade que julguei amenizada pela minha idade e compreensão de que ninguém é perfeito –muito menos nossos ídolos- fui atrás de um outro livro, que por não ter sido lançado no Brasil, acabou por faltar na minha estante. Talvez eu esteja com tempo de sobra para ficar remexendo fuxicos da vida alheia...

Trata-se de “The Lost Weekend”, escrito em 1983 por May Pang, companheira (ou amante) de Lennon entre 1973 e 1978. Achei-o e o li em três dias, e confesso que me angustiei com o relato da atual cinquentona Sra. Pang. Ali, -ao que me parece com honestidade rara em livros deste gênero -ela nos revela a complexidade de uma pessoa meiga, gentil, afetuosa, e ao mesmo tempo cruel, imatura, agressiva, rancorosa e descontrolada emocionalmente. Neste livro, fica clara a dependência emocional de Lennon em relação à figura de Yoko Ono, bem como as necessidades do casal em aparecer na mídia, construindo uma imagem de “artífices pop” da paz, do engajamento político esquerdista dos anos 70 na América, e o oportunismo explícito de Ono, que extrapolou sua crença em suas habilidades artísticas e se amparou na fama do marido para conseguir notoriedade. Mas não se iludam: Lennon precisava de uma mãe, de uma mulher forte e que lhe ditasse os procedimentos mais básicos do dia a dia, que conduzisse seus negócios e administrasse sua fortuna. Logo, a troca entre ambos era validada por suas necessidades pessoais, além de extrema paranóia e uma cumplicidade muitas vezes mórbida e ácida. Pang, ao que parece mais consciente e determinada a ajudar Lennon a desenvolver seu talento como artista solo, fora deixada para trás.


Paradoxalmente, quando declarava que os Beatles eram sinônimos de seu passado imaturo e inconsciente, Lennon não tinha idéia de que estava apenas transferindo sua dependência e insegurança para a figura materna e imponente de Yoko. Em suma: apesar da terapia do grito primal e de suas barulhentas declarações em contrário feitas na época, ele não queria crescer, e Yoko não queria que ele o fizesse também. Para os dois, esta era a engrenagem que funcionava. A paixão inicial, como tudo que arde intensamente, havia passado; o que ficou foram as velhas fraquezas e hábitos emocionais viciosos de ambos.

Ainda segundo May Pang, toda a história de casal “resolvido” e feliz que havia se distanciado da mídia para viver uma intensa paixão (e com o filho resultante dela a tiracolo), era em grande parte uma mera armação publicitária para vender uma imagem irreal, que serviria para promover sua volta ao mundo da musica pop como um espécie de casal modelo do rock, em 1980. Supostamente, o próprio John Lennon dizia à Pang que ele e Ono não viviam bem, mal se tocavam, e que tudo não passava de falsas aparências. Quem iria administrar os negócios de Lennon, se ele não confiava em ninguém mais? E Ono? Como ganharia destaque na mídia, se não fosse a esposa de um ex-beatle? As coisas se encaixavam perfeitamente, se nos fixarmos nesta perspectiva.

Esta poderia ser a história de “When I’m Sixty Four” de John, se ele ainda estivesse por aqui, e se também não tivesse sido vítima de outra loucura: a de um fã obcecado pela idéia da fama e do culto à imagem de seu ídolo. E a intenção primeira deste artigo não é esmiuçar a vida do ex-beatle, coisa que muitos fazem com competência infinitamente superior, mas sim justamente chamar a atenção para a relação de um fã para com seu ídolo, de como somos presas fáceis da publicidade consumista e o que tal relação significa e envolve. Não teríamos nós um pouquinho do assassino de John?

Não estou dizendo que a publicidade não seja necessária, nem que todos os fãs dos Beatles sejam assassinos em potencial; a verdade é que para que divulguemos nossos trabalhos ou capacidades –sejam elas quais forem- é preciso criar meios de fazê-las perceptíveis, para que assim ganhemos nosso rico dinheirinho. Campanhas publicitárias são ainda mais imprescindíveis dentro de grandes relações comerciais e até artísticas. Bom seria que se estendesse tal mecanismo de divulgação e propagação aos eventos e criações artísticas que oferecessem conteúdos louváveis, fossem eles educativos ou informativos, mas isso são outros quinhentos. Infelizmente, a publicidade é um recurso mal usado, e normalmente apela às mais vulneráveis emoções e características do ser humano para que possa vender um objeto, uma postura social, ou um corpo melhor moldado, como é moda atualmente.

Se por um lado a propaganda divulga um trabalho ou um CD, por exemplo, por outro encontra abrigo no vazio e na falta de perspectivas das pessoas e as ilude com a falsa impressão de que estão preenchendo este vácuo com um produto, seja ele um desodorante, um aparelho de telefone celular ou um disco de rock and roll. Vendem-se sentidos e significados variados, ficando a música, no caso da indústria do entretenimento, em segundo plano. Ou vende-se também a imagem de um militante incansável pela paz, um casal que possa criar no imaginário pop a imagem de dois ‘arautos’ do amadurecimento afetivo e criativo, dois apaixonados raros e imaginários, como procurou demonstrar Ono em um DVD sobre o marido, recentemente lançado no mercado.

A mania excessiva por objetos ou pessoas nos conduz à loucura e para a irracionalidade de querer nos transfigurar em nosso ídolo, de colecionarmos todos os seus discos, de comprarmos o mesmo álbum por 100 vezes, de termos fotos, livros (!), informações diárias e por aí afora. Fazemos isso na doce ilusão de estarmos próximos dele, de pertencermos à sua ‘intimidade’, de termos alguma coisa que nos faça crer que não sejamos seres solitários e distantes, frágeis, vulneráveis e finitos. Por isso colecionamos coisas: a coleção é uma extensão de um recurso que se esgotou em seu tempo, de um prazer ou da representação de um determinado sentimento do passado, mas que insistimos em preservar como se preserva um pedaço de carne crua dentro de um freezer. A carne nos alimenta o corpo, a coleção de discos nos alimenta a sensação de eternidade. Preservamos nas prateleiras a trilha sonora de nossa saudosa infância ou de um namoro emocionado e apaixonado, por exemplo. E queremos multiplicá-la (a trilha sonora) por mil, quanto mais possível isso parecer. E compramos ‘atitudes’ em forma de roupas, adesivos, coletâneas, discos remasterizados, com sons nunca ouvidos antes, tudo isso para realimentar nossos hábitos.

O próprio Lennon evocou tal círculo vicioso quando decretou que o sonho havia acabado. Eu, pessoalmente, sou um voraz colecionador de discos, e vivo me perguntando por que compro o mesmo álbum dos Beatles dezenas de vezes. Agora mesmo, Ono está lançado mais um CD com o mesmo material do marido falecido. E reconheço: vou comprá-lo rapidamente, e será uma delícia, assim como comprar aquele LP dos Beatles lançado na china ou o livro de May Pang que me fale da vida íntima John Lennon!

Primeiro detalhe: ninguém seria uma vítima tão fácil da publicidade ou da mania (ou não o seria de maneira tão evidente) se adquirisse um mínimo de consciência de si mesmo, se aprendesse a vivenciar seu vazio existencial, se permanecesse alguns minutos em silêncio, sentido o eco de seus sentimentos e identificando-lhes a verdadeira origem, e suas vozes interiores mais recônditas. Mas a lei da vida moderna nos ensinou que é feio ficar sem saber o que fazer, ou se descobrir que nada se quer fazer. É preciso trabalhar, é preciso consumir, é preciso fazer circular o dinheiro com a loucura dos outros.

Há dentro deste cenário, contudo, uma possibilidade, que seria a de aproveitar a admiração por um artista por um outro prisma, se me perdoarem a redundância de lembrar que se existe um artista, existe sua obra: entrar em contato com sua obra sem o excesso e as armadilhas do consumismo. Para tanto, meus amigo, não há escapatória: você tem que se conhecer melhor e entender de onde você vem e o meio que te criou. Da mesma maneira, eu pergunto: O que há por trás da publicidade e do mito de um John Lennon, por exemplo?

Vejam: antes que chamem de pedante ou coisa parecida, estou dizendo que vou morrer ouvindo Lennon e os Beatles, assim como Gilberto Gil, Os Mutantes, Elis Regina e qualquer outro grande artista do meu tempo; mas enquanto lia o livro sobre o ex-beatle, me ocorreu pela enésima vez o seguinte: eu não preciso que esse cara tenha sido o máximo, o melhor guitarrista do mundo, um ‘cavaleiro da paz’ ou um exemplo de maturidade absoluta. Não preciso mais comprar sua imagem de herói. Não devo querer mais aos heróis, porque não existem; quanto mais eu descubro a humanidade de um artista, mais eu me identifico para com ele; quanto mais lhe constato a fraqueza, a falibilidade, a contradição e as limitações, mais me sinto próximo e parecido, já que o dito cujo não passa de um ser humano como eu. Claro, Lennon possuía um incrível dom de compor canções maravilhosamente simples e emocionadas, mas era basicamente um ser humano como eu, com a diferença de alguns milhões de dólares a mais na conta bancária. Se não tenho os milhões de John, tenho a sua humanidade e finitude. E são elas que nos acompanham na morte.

Tenho aprendido muito com vários artistas, com nossos extraordinários artistas brasileiros (que são muitos e tão brilhantes como qualquer estrangeiro), mas passei a maior parte da minha vida, com certeza, ouvindo John Lennon e os Beatles. E minha memória me mostra o seguinte: quando eu tinha 4 anos, ganhei de meu querido e saudoso pai o LP “Rubber Soul”, que dividi com meu irmão mais velho; lembro-me do quão divertida foi minha infância ouvindo aquelas melodias límpidas e belas, que me distraíam e me deixavam feliz. A música havia sido apresentada à mim por meu pai e de maneira privilegiada: Beatles. É um sentimento que preservo sim, às vezes de maneira obsessiva, mas que também continua a me proporcionar felicidade. Pouco depois, na fase psicodélica dos Beatles, lembro-me de começar a exercitar a minha imaginação, aos 7, 8 anos de idade, através dos sons malucos e estranhos de “Walrus”, “Strawberry Fields” e do “White Álbum”, que para mim sugeria uma infinidade de imagens e histórias fantásticas e instigantes. Até hoje, ouvi-lo é como entrar numa sessão surreal de cinema. A música transformava-se, desde aqueles tempos remotos, em uma linguagem, em um recurso potencialmente viável para que eu me colocasse no mundo e me comunicasse com as pessoas. Obrigado, meu pai. Thank you, John, pela musica em minha vida.

Quando, aos 9 anos, vi John de barba e cabelos compridos, acompanhado daquela japonesa estranha e toda vestida de negro, sem seus companheiros beatles ao lado, fiquei revoltado; afinal, eu começava a perceber que as coisas acabavam, que as pessoas brigavam, rompiam relações e cresciam. Eu já começava a pensar na minha infância cada vez mais distante, e a separação dos Beatles me sugeria uma espécie de inocência quebrada, de harmonia rompida. Só comprei um disco de John em 1973, e mesmo assim porque eu já havia me transformado em um colecionador; até então, eu o achava um cara “maluco”, um chato que havia abandonado os colegas e se transformado em alguém ousado demais para a minha inocência.

Quando “Mind Games” foi lançado no Brasil, no começinho de 1974, eu imediatamente o comprei e me apaixonei por suas canções novamente melódicas e cativantes (pelo menos assim eu as sinto). E mais: Yoko não berrava ao lado de Lennon. Assim foi com “Walls And Bridges” e o “Rock And Roll”, até que eu resolvesse comprar os LPs antigos como o “Plastic Ono Band” e o “Imagine”.

Quando compreendi o que Lennon cantava em “God”, eu fiquei perplexo; minha família era extremamente católica e eu me sentia pressionado a freqüentar a igreja e a rezar, coisa que eu detestava (hoje gosto, mas a forma de fazê-lo eu mesmo descobri). Sentia-me como que forçado a fazer parte de uma engrenagem que eu não entendia e não queria vivenciar: era a adolescência batendo à porta, com minha necessidade de ter uma identidade própria. Eu passei a aspirar, naqueles dias, a minha individualidade, movimento que era em muito despertado pelos versos de John: “Deus é um conceito pelo qual medimos nossa dor”. A partir daí, uma de minhas maiores curiosidades foi compreender filosoficamente o mundo e à Deus. Eu também havia achado uma maneira de dizer à família: eu não quero ir à missa, eu não quero aceitar a igreja sem compreender o que ela significa, eu não quero rezar apenas para não ser punido por Deus ou desagradar meu velho avô, uma pessoa extremamente religiosa; eu não quero ser o que vocês esperam que eu seja.

Quando mostrei para minha mãe o que a letra de “God” dizia, ela me trancou na sala com um padre, que tentou me convencer que Lennon era um enviado do diabo!! Foi aí que comecei a pensar: John não fazia apenas melodias bonitas, mas sim falava de emoções e sentimentos, mesmo que eles parecessem coisa de outro mundo! E não eram; eram, sim, os mais legítimos e inevitáveis sentimentos humanos conquistando a minha alma e me mostrando que eu estava no mundo.

Assim foram passando os anos. Adolescente solitário e recluso, que preferia ficar dentro de casa ouvindo rock ao invés de mentir -como os insuportáveis colegas de escola- que eu transava com várias garotas, eu fui me interessando pelas letras das canções dos Beatles e de Lennon; quando entendi “Working Class Hero”, eu literalmente entrei em êxtase: o cara havia escrito em poucos versos o que eu não conseguia entender no meu dia a dia e o que não se ensinava na escola: como somos conduzidos dentro de um determinado sistema, de uma sociedade, e como somos enganados e manipulados pela mídia, pela indústria do entretenimento! “Eles te tratam como um idiota na infância/ até que você esteja cheio de medos e frustrações/ que não consegue seguir-lhes a cartilha/ depois de lhe torturarem e lhe amedrontarem durante vinte e tantos anos/ exigem que você saiba escolher uma carreira/ enchem você de televisão, apelos sexuais e religião/ e você se acha um privilegiado, uma pessoa livre/ mas não vê o quanto iludido e condicionado está”. Para mim foi uma bomba! Uma revelação! Lennon ganhou ares de herói, de cavaleiro do apocalipse! Daí para o processo natural de querer compor canções como ele foi um passo.

Eu já tinha minha guitarra e já compunha minhas primeiras musicas aos 18 anos. Anos mais tarde, depois de sua morte –que me deixou vestido de preto e em luto durante um mês, como se fosse alguém de minha família- resolvi cursar sociologia. Foi através das canções de Lennon como “Power To The People”, “Only People” e “Bring On The Lucie” que comecei a me interessar em expandir meus conhecimentos, entender como funcionava a sociedade, o Brasil, os processos históricos e tudo mais. Já havia constatado anos antes que vivíamos numa ditadura militar cruel e sanguinária. Aquelas canções –acreditava eu- poderiam perfeitamente servir como relatos da situação política do Brasil. Esta fase foi a que mais revelou a minha necessidade de transfigurar-me em John Lennon: usava óculos de aros redondos, cabelos compridos e roupas brancas em plenos anos oitenta!!

Quando a coleção das fitas caseiras do ex-beatle começou a ser veiculada através de discos piratas, eu descobri, maravilhado, a forma como ele compunha suas canções. E comecei a gravar as minhas da mesma maneira. Voltei a me ligar mais na musica que Lennon fazia, na simplicidade de seu método e no seu processo criativo. Eu havia estudado musica com certo afinco e conheci muitos estilos e músicos variados, da MPB instrumental até artistas de jazz, além de compositores fascinantes como Frank Zappa e Hermeto Pascoal, entre tantos outros. Em certo sentido, percebi que John não era um músico virtuoso, que tinha muitas limitações e que não possuía bagagem teórica musical consistente; no entanto, isso nunca me afetou. Sua musica e o rock, de maneira geral, sempre chegaram muito mais forte em mim e me emocionam demais até os dias de hoje. É a musica que melhor traduz meus sentimentos. Eu me habituei a ouvi-la e ela me parece extensa e flexível o suficiente para acrescentar felicidade e despertar sensações que fazem sentir-me vivo.


Já há alguns anos, desmantelei o mito “John Lennon herói da paz e do politicamente correto” da minha cabeça. Se na época da adolescência e juventude eu o venerei tal qual um exemplo de perfeição –e o adorava por acreditar cegamente nisso-, hoje eu gosto de sua musica e de ler sobre sua vida (quando não é a marqueteira Yoko Ono escrevendo) justamente por vê-lo como uma pessoa comum. Claro, como já disse, ele era um compositor pop inspirado e genial, mas o que me fascina igualmente em sua obra artística é justamente o despudor que tinha em assumir-se como um ser falível, muito embora muitas de suas atitudes pessoais deixassem transparecer seu egocentrismo desmedido. Lennon desnudou-se de fato, se contradisse, errou, foi vendido, vendeu-se e quis preservar-se ao mesmo tempo. Depois de morto, foi transformado em mito por sua viúva.

Agora, quando completaria 64 anos, John Lennon está de novo a me dizer algo. Ao ler “Lost Weekend”, senti-me, em um primeiro momento, indagando-me a cerca de como poderia eu passar minha vida inteira ouvindo um sujeito que se deixava manipular tão facilmente pela esposa, que quase estrangulou a amante e que fazia na intimidade tudo aquilo que entra em contradição com a imagem de seu mito. Mas logo mudei minhas impressões. Eu gosto do humano, não do mito. E lhes digo: prestem atenção em suas canções, estas sim as verdadeiras expressões de sua arte e se sua personalidade; nelas, Lennon se mostra humano como qualquer um de nós. Esqueçam o príncipe beatle e não caiam na história-para-boi-dormir de Yoko Ono, que continua vendendo a imagem do marido como o ícone da paz e da justiça; Lennon é cada um de nós, e basta que ouçamos sua canções com o intuito de conhecer um ser humano. Consequentemente, elas resultam num pequeno impulso para que nos conheçamos a nós mesmos. Se o vazio de nossas vidas não for preenchido de forma saudável e verdadeira, com desenvolvimento da consciência do que somos e de onde viemos, podemos cair na cilada da publicidade antiética e gananciosa, que encontra espaços em mentes doentes e transtornadas como a do assassino de Lennon, que o impediu de estar fisicamente aqui entre nós fazendo 64 anos de idade.

Marc62@superig.com.br